sábado, 18 de julho de 2009

Os "Popozudos"

O mundo inteiro sofre de escassez. Escassez de água, de comida, de dinheiro (Ava!), de cultura, de inteligência, mas principalmente de coragem. Falta no mundo e sobra ao mesmo tempo. O mundo sofre de abundância de bunda, escassez de peito.


Peito para enfrentar o real e tudo que nos cerca. Peito para agir. Sobra bunda. Os chamados bundões. Em termos mais chulos, c...zão, se é que me entende. Prefiro chamar de popozudos. É... somos um bando de popozudos. Orgulho quanto a isso? Ou temos ou fechamos os olhos.


O engraçado é que as pessoas de peito não são enxergadas, ou se são, não são reconhecidas. Falta gente para acabar com a palhaçada na política, na vida social, na vida econômica. Ao invés disso o que fazemos: reclamamos, para si. A bunda cresceu. Parabéns. A hipocrisia também.


Vamos odiar nossa vizinha fofoqueira falar mal de nós, mas vamos assistir cada vez mais realitys-shows, o que que tem? É legal. Eu também assisto. Vamos rezar na Igreja e nos enroscarmos na balada. Muito bem! Viva! E cadê o peito para assumir quem somos?


Cadê o peito? Falta. O que me envergonha e enoja é saber que nada sou mais do que mais um popozudo. E talvez você seja também.
Onde estão os “melõezudos(as)”? Por favor. Precisamos de vocês.

Esse é o Brasil. Esse é o mundo.


E esse é mais um popozudo quem fala.

domingo, 31 de maio de 2009

Trabalhar e estudar? Conforme-se!

O relógio que toca às seis da manhã parece mais um instrumento de tortura. O primeiro pensamento que passa na cabeça é: "já?". Não lembro de ter dormido. Na verdade acho que fechei apenas os olhos e esse maldito já vem me incomodar.
Pouco a pouco o cérebro está recuperando o que consegue. Tenho a mania de dizer que ele está funcionando com apenas 10% de sua capacidade: o suficiente para eu levantar e andar... aos poucos ele vai acordando e com isso as memórias do dia anterior.
Vamos repassar mentalmente... hoje tenho dezenas de planilhas para importar no meu trabalho. Disso não há como fugir. Depois... Lembrei! Já ia me esquecendo foi isso que me fez dormir ainda mais tarde: o trabalho que tenho que apresentar depois de amanhã. Às vezes acho que tenho dezenas de almas. Sim... É a unica explicação que encontro para "tentar" dar conta das inúmeras atividades. O emprego exige esforço extra para dar conta dos seus interesses. O estudo exige um esforço extra ainda maior para dar conta das minhas atividades. "Se fosse fácil, todo mundo era formado no Brasil"... Quantas vezes já ouvi essa frase... Um tapinha nas costas dizendo: "Um dia o esforço vai trazer resultados".
Vida de estudante não é fácil. Todo mundo está cansado de saber. Somar isso a emprego, acho que é uma loucura total. É um ciclo. Trabalhe para manter a faculdade. Estude para manter o emprego. Onde ficamos nesse meio? Às vezes tenho a sensaçâo que tudo està sendo sugado... Será que vou conseguir aproveitar a recompensa, se é que ela existe, de tanto esforço? Haverá algo dentro de mim?
Olho as pessoas que estão ao meu redor. Parece que todo mundo está tão... Conformado. É acho que essa é a palavra. Num dia desses me surpreendi ao reparar que tal conformismo, assim como o meu próprio, era fachada. Reuni-me com um grupo de amigos na sala e começamos a falar da quantidade de trabalhos que somos exigidos na faculdade e no emprego. Quase choramos todos juntos. Parece exagero? Não, não é. Aquilo serviu como mais desespero e como alívio ao mesmo tempo. Nada vai mudar. Quer se formar.... Vai ser assim. Mas você não está sozinho. Outra vez o conformismo me dominando.
Acho que pensei demais. É melhor eu desligar o chuveiro e me vestir logo, ou vou me atrasar. Chuveiro é o único lugar para pensar. Fato. Deus, se existir peço perdão pela minha frase tão pecadora: estou sem tempo até para conversar com "Ele". Feriado, final de semana. Esquece. Vou ter que fazer hora extra e o tempo restante terminar aquele trabalho importantíssimo para apresentar na segunda-feira. Ninguém vai querer saber do meu cansaço. Todo mundo passa por isso. Vamos nos conformar: É a vida!
Não falei que ia me atrasar. Se eu não correr vou perder o emprego, parar a faculdade e ser sustentado pelos meus pais, o que não os agradaria muito. Mas um pouco de rebeldia não faz mal a ninguém. Por que não faço isso? Nossa perdi o ônibus... Que droga! Vou correr para alcançar outro. Depois eu penso.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

"Tira a máscara que cobre o seu rosto"



Comprei as últimas roupas da moda. Gastei um bom dinheiro com roupas de moda. Tenho um estilo de cada. Tem horas que quero ser alguém que se veste como se não se importasse com marca, mas que usa marca. Tem horas que quero usar terno e gravata. Tem horas que quero ter um estilo surfista.Tem horas que quero andar pelado. Enfim... Investi em cada tipo de situação que viesse.
Baixei as últimas músicas que estão nas rádios. Gastei horas procurando as novidades da semana. Tenho vários estilos de música no meu mp3 e no meu celular. Tem momentos que quero uma música calma, para pensar. Tem horas que quero aquela música que não sei a letra mas a batida é legal e está na moda. Tem horas que quero aquela música de revolta. Em outras quero uma música religiosa. Também... Investi em cada tipo de situação que viesse.
Atualizei o meu orkut com tudo que podia. Cada dia ele tem um estilo. Tem horas que eu quero que ele mostre uma pessoa forte.Tem horas que quero que mostre o quanto sou carente. Tem horas que eu quero chamar a atenção. Tem horas que eu quero não chamar a atenção. Acho que mais uma vez me preparei para qualquer situação que viesse.
Um dia reparei que nada disso estava mais valendo a pena...
E que de tanto me preparar para qualquer situação, na verdade não estou preparado para nenhuma....
Acho que minha "máscara social" caiu. Cansei de não ser eu.
O que vem pela frente?
Quem sabe? As opções são muitas: Vão desde me atirar no metrô às 10 da manhã para não incomodar ninguém, até a de me rebelar de vez e mostrar quem nem eu conheço.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

E se é platônico?

O amor tem várias faces, mas e quando é algo impossível?

Não é necessário ser um romântico nato ou especialista em relacionamentos para dizer que o amor é algo complicado de se entender. Aos apaixonados, pode ser uma coisa boa, quando o mesmo é retribuído, porém, para algumas pessoas o sentimento pode ser algo negativo: É o caso do chamado “Amor Platônico”.

Conforme definição em matéria publicada na revista Marie Claire (número 116, novembro/2000), “é aquele amor que nunca se concretiza”, mas assim como o próprio termo amor, em sua simples concepção, é algo difícil de definir. A palavra platônico, vem de Platão, filósofo grego que imaginava dois mundos, um de idéias, o chamado mundo ideal onde tudo seria perfeito, e o mundo real onde tudo é limitado.

Mas afinal, o que seria o amor platônico? Para a psicóloga Marta Regina Monteiro de Souza, pode ser classificado como um “amor proibido”, aquele impossível de acontecer por diversos fatores.
É o caso da auxiliar administrativa, aqui chamada de Maria, por não querer revelar sua identidade. Maria se viu apaixonada por um professor de sua faculdade, logo no primeiro semestre. “Desde o primeiro dia gostei dele como pessoa, mas com o passar do tempo foi surgindo uma atração, foi emocionante e doloroso, porque eu sabia que éramos ‘hierarquicamente’ diferentes”, diz Maria. A mesma diz que chegou ao ponto de não prestar atenção na aula e sim no professor. Como um dos “sintomas” comuns do amor platônico, ela não conseguia nem falar com o mesmo, chegando a ficar tensa em vê-lo. Maria, acredita que não tem a mínima chance de envolver-se com o professor: “Acho que não existe mais essa de professor não sair com aluno, mas eu sei que no caso dele é diferente e ele não sairia”, completa.

Outro caso de aluna apaixonada por professor, ocorreu com a operadora de atendimento Letícia Rosa. Letícia, hoje com 23 anos, se apaixonou por seu professor de Geografia quando tinha apenas 11 anos. “Era aquela coisa infantil, mas posso dizer que foi o meu primeiro amor”. Letícia escrevia cartas de amor e as escondia, além de abandonar outras aulas para assistir a do professor. “Um dia teve uma festa junina na escola e ele apareceu com uma mulher, para mim o meu mundo desabou”, diz Letícia. Hoje ela aprendeu a superar o sentimento, mas confessa que caso houvesse interesse por parte dele ela aceitaria um envolvimento: “Mesmo ele sendo casado, ficaria com ele. Não se eu estivesse com outra pessoa, mas confesso que numa situação assim ficaria muito balançada.”

Alunos apaixonados por professores,é um dos exemplos mais clássicos de amores platônicos. “A proximidade, cria um laço que as vezes passa a ser mal interpretado por uma das partes, criando uma afeição acima do normal”, diz a psicóloga Marta Regina. Segundo ela, em casos extremos, o amor platônico pode causar perda da individualidade, da auto-estima, alienação e obsessão. “Em casos de obsessão, deve-se procurar uma ajuda médica, pois há perda do senso comum, e à partir daí o sujeito está pronto para cometer qualquer coisa.” A psicóloga ainda disse que é algo difícil de conviver, pois a sociedade julga pessoas com esse tipo de amor, porque prefere manter os sentimentos camuflados.

No amor platônico se tem a imagem da perfeição, o que pode causar grandes decepções em casos de envolvimento com pessoas. “A pessoa se torna tão perfeita para você, que o simples fato de ela te dar bola, já pode torná-la ‘imperfeita’, se há um envolvimento maior, o risco de decepção aumenta porque você nunca imaginou defeitos sobre aquela pessoa”, explica Marta Regina.
Complicado de se entender, difícil de lidar, são apenas algumas definições para o amor platônico. Porém, em casos como esses, o que vale é o bom senso. Tudo em excesso faz mal e essa regra vale para sentimentos. Portanto, qualquer manifestação que possa parecer fora a atitudes comuns, procure um médico especialista, pois isso pode tornar-se algo sério oferecendo sérios riscos psicológicos para o indivíduo.

O que você sentiu?


Já me senti muito mal. Cheguei a chorar nas férias porque não pude vê-la. Não nos falamos muito mas só fato de vê-la já me faz ficar melhor. Antes tinha certeza de que não ia dar certo, mas aprendi a ter confiança em mim.
Pedro*, 19 anos, estudante. Apaixonou-se por sua colega na escola.


Já fiquei tensa em vê-lo. Hoje é normal, mas antes não conseguia nem falar com ele. Ficava muda, gostava apenas de apreciá-lo, na verdade nunca me canso disso.
Maria*, 22 anos, auxiliar administrativa. Apaixonou-se por seu professor na faculdade.



Me apaixonava pela idéia de gostar dele, era bem aquela coisa de ‘menininha’, mas confesso que mesmo hoje, se ele me ‘desse bola’, isso me balancearia.
Letícia Rosa, 22 anos, operadora de atendimento. Apaixonou-se por seu professor aos 11 anos.


*Nomes fictícios. Os entrevistados preferiram não revelar suas identidades.

O papel do Papel Jornal - ONG oferece curso de jornalismo para jovens da periferia de São Paulo

São Paulo - Fotografando. Foi assim que surgiu a idéia que daria início à ONG Papel Jornal, conforme disse a jornalista Roseli Lotturco em entrevista coletiva realizada com estudantes de jornalismo no Centro Universitário Sant'Anna, no ultimo dia 31. A ONG que atua no Jardim Ângela, periferia de São Paulo, já possui mais de 10 anos oferecendo cursos de jornalismo para jovens da região. Roseli, que já chegou a morar no Jardim Ângela, disse que os jovens possuíam um excelente senso crítico, mas faltava organizar as idéias.

A respeito do fato que deu início a idéia do projeto, a jornalista conta que uma amiga do jornal "A Folha de S. Paulo", tentava fotografar no bairro e foi barrada por alguns moradores. Esses moradores reclamavam que a imprensa só ia à periferia para tirar fotos da "desgraça". Questionados pela fotógrafa, de como poderiam ser ajudados, os mesmos disseram que tinham vontade de aprender a fotografar. A partir daí, um grupo de jornalistas organizou o projeto.

Hoje, Roseli é professora de texto na ONG e mostrou com orgulho na coletiva, as matérias produzidas pelos jovens, que batizaram a primeira edição como "Desabafo". "Eles procuraram nos dicionários e encontraram essa palavra, cujo significado dizia: 'algo que superamos/ reorganizamos", conta Roseli. A mesma ainda afirma que o pior problema que os textos enfrentam é o preconceito das classes A e B, que observam como dó. "Olhar de baixo para cima e de cima para baixo não rola", diz a jornalista a respeito dos jovens.

Perguntada se o projeto seria levado a outros bairros, Roseli disse que infelizmente não há como. Segundo ela, apesar de ajudar bastante, o mesmo é financeiramente limitado, citando por exemplo a impressão do jornal, que ela afirma ser cara.

A jornalista se surpreendeu com o último tema levantado pelos alunos, que foi a "Crise econômica". "Fiquei super feliz, pois além de ser um tema que eu gosto, com certeza será um desafio para eles", diz Roseli que é jornalista especializada em economia e escreve em outras áreas também.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Pré-estreia do filme "Divã" é exibida para alunos da UniSant'Anna

Por Leonardo Ferreira


Na ultima quita-feira (02), foi exibido para alunos do Centro Universitário Sant'Anna a pré-estreia do filme Divã. O evento contou com a participação do ator Marcelo Saback, roteirista do filme. Para conseguir o ingresso do evento, os alunos precisavam levar 1 quilo de alimento não perecível.


Marcelo contou que o filme é uma adaptação de livro homônimo, escrito por Martha Medeiros, que também virou peça de teatro. Ele classifica o filme como o melhor entre os três. O ator falou também sobre sua carreira citando sua participação em duas novelas da Rede Globo e em Sai de Baixo, onde era o roteirista. O mesmo citou que precisava ir ao Rio de Janeiro para a pré-estreia com a atriz Lilia Cabral, protagonista do filme, e com isso o tempo para perguntas foi curto, não sendo aberto a alunos, o que desagradou alguns dos presentes. Para a aluna Talita Ribeiro ele aparentou estar com muita pressa e não deu muita importancia ao evento com os alunos. Seu colega Ricardo Braga também criticou o pouco tempo de conversa: "Mesmo com pouco tempo, achei que ele explicou muito bem, mas faltou a discussão com os alunos, estávamos esperando isso". Apesar disso, ambos dizem ter gostado do filme. "Com certeza vai ter um bom resultado de público e eu voltarei a assistir", completou Ricardo.


O filme "Divã" tem em seu elenco Lilia Cabral, Jose Mayer, Reinaldo Gianecchini, dentre outros. "Divã" relata a história de uma professora de 40 anos que decide fazer uma terapia e relata acontecimentos de toda sua vida. Dirigido por Jose Alvarega Junior, estreará nos cinemas no dia 17.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Infância perdida no coração da Metrópole

Um retrato de uma realidade que assombra a todos, e em plena Avenida Paulista: o trabalho infantil.

Por Leonardo Ferreira
Cerca de 250 milhões de crianças entre 5 e 14 anos trabalham no mundo, segundo a Organização Internacional do Trabalho. No Brasil, segundo pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) realizada em 2001, são cerca de 2,2 milhões de crianças em atividades profissionais que muitas vezes não têm nem as condições básicas de segurança. A maior parte dessas crianças são do sexo masculino, porém, meninas não são poupadas sendo utilizadas tanto em atividades domésticas com remuneração (algumas vezes abaixo do normal), como em atividades pesadas.
São Paulo, a maior cidade do país, é uma das que mais sofre com o problema. É crescente o número de crianças vendendo mercadorias ou simplesmente pedindo esmolas em faróis da cidade. Temos a chance de testemunhar na Avenida Paulista, que é palco de eventos grandiosos e manifestações, considerada coração de São Paulo, a triste vida dessas crianças.
É o caso dos irmãos Aliaqui e Adson, de 11 e 13 anos de idade, que trabalham fazendo malabarismo nos faróis das travessas na altura do MASP (Museu de Arte de São Paulo). “A gente estuda de manhã e vem pra cá mais ou menos ao meio dia, depois a gente fica até as onze da noite”, relata Adson. Os irmãos trabalham na região há quase seis anos. Eles vivem em um quartinho alugado próximo à Rua Frei Caneca, com a mãe, Ana, e mais quatro irmãos. Segundo Ana, as crianças trabalham pois ela tem de cuidar de uma criança de quatro meses, seu filho mais novo. Segundo ela, não conseguiu mais nenhum emprego desde que foi dispensada do Banco Central, onde trabalhava como faxineira.
“As pessoas, passam e perguntam: Por que sua mãe não trabalha? E aí eu respondo que ela não trabalha porque não tem emprego, se ela tivesse eu não estaria aqui”, diz Aliaqui.
Os irmãos faturam entre dez a trinta reais ao dia, o que gera o sustento de toda a família.Os dois são os irmãos mais velhos.

Os consumidores

Os freqüentadores de bares da região, ou mesmo passantes, estão acostumados a avistar a cena. “Já se tornou algo tão comum em São Paulo, que nem surpreende mais, algumas vezes ajudo com alguma quantia, mais por pena mesmo”, diz Jefferson Araújo, técnico de seguros, que costuma andar pela região.
Alguns ajudam por pena, outros simplesmente como consumidores comuns de vendedores em condições normais, como é o caso do jornalista Carlos Henrique Santos: “Às vezes ajudo sim, por que não? Não ajudo por dó. Geralmente compro porque quero o que o moleque vende ou porque a abordagem dele foi legal.”
Alguns freqüentadores da região, consomem os produtos porém, acham errado as crianças estarem sendo usadas para pedir dinheiro ou para vender algo. Apesar disso, a ajuda vem de alguma forma. Para Carlos, o que falta é uma grande atitude do governo para acabar com o problema: “É muito fácil colocar um filho no mundo e mandar ele trabalhar porque o governo não te sustenta. O governo não tem obrigação de te sustentar, mas de dar condições dignas para que a criança tenha qualidade de vida e um ensino legal.”