O amor tem várias faces, mas e quando é algo impossível?Não é necessário ser um romântico nato ou especialista em relacionamentos para dizer que o amor é algo complicado de se entender. Aos apaixonados, pode ser uma coisa boa, quando o mesmo é retribuído, porém, para algumas pessoas o sentimento pode ser algo negativo: É o caso do chamado “Amor Platônico”.
Conforme definição em matéria publicada na revista Marie Claire (número 116, novembro/2000), “é aquele amor que nunca se concretiza”, mas assim como o próprio termo amor, em sua simples concepção, é algo difícil de definir. A palavra platônico, vem de Platão, filósofo grego que imaginava dois mundos, um de idéias, o chamado mundo ideal onde tudo seria perfeito, e o mundo real onde tudo é limitado.
Mas afinal, o que seria o amor platônico? Para a psicóloga Marta Regina Monteiro de Souza, pode ser classificado como um “amor proibido”, aquele impossível de acontecer por diversos fatores.
É o caso da auxiliar administrativa, aqui chamada de Maria, por não querer revelar sua identidade. Maria se viu apaixonada por um professor de sua faculdade, logo no primeiro semestre. “Desde o primeiro dia gostei dele como pessoa, mas com o passar do tempo foi surgindo uma atração, foi emocionante e doloroso, porque eu sabia que éramos ‘hierarquicamente’ diferentes”, diz Maria. A mesma diz que chegou ao ponto de não prestar atenção na aula e sim no professor. Como um dos “sintomas” comuns do amor platônico, ela não conseguia nem falar com o mesmo, chegando a ficar tensa em vê-lo. Maria, acredita que não tem a mínima chance de envolver-se com o professor: “Acho que não existe mais essa de professor não sair com aluno, mas eu sei que no caso dele é diferente e ele não sairia”, completa.
Outro caso de aluna apaixonada por professor, ocorreu com a operadora de atendimento Letícia Rosa. Letícia, hoje com 23 anos, se apaixonou por seu professor de Geografia quando tinha apenas 11 anos. “Era aquela coisa infantil, mas posso dizer que foi o meu primeiro amor”. Letícia escrevia cartas de amor e as escondia, além de abandonar outras aulas para assistir a do professor. “Um dia teve uma festa junina na escola e ele apareceu com uma mulher, para mim o meu mundo desabou”, diz Letícia. Hoje ela aprendeu a superar o sentimento, mas confessa que caso houvesse interesse por parte dele ela aceitaria um envolvimento: “Mesmo ele sendo casado, ficaria com ele. Não se eu estivesse com outra pessoa, mas confesso que numa situação assim ficaria muito balançada.”
Alunos apaixonados por professores,é um dos exemplos mais clássicos de amores platônicos. “A proximidade, cria um laço que as vezes passa a ser mal interpretado por uma das partes, criando uma afeição acima do normal”, diz a psicóloga Marta Regina. Segundo ela, em casos extremos, o amor platônico pode causar perda da individualidade, da auto-estima, alienação e obsessão. “Em casos de obsessão, deve-se procurar uma ajuda médica, pois há perda do senso comum, e à partir daí o sujeito está pronto para cometer qualquer coisa.” A psicóloga ainda disse que é algo difícil de conviver, pois a sociedade julga pessoas com esse tipo de amor, porque prefere manter os sentimentos camuflados.
No amor platônico se tem a imagem da perfeição, o que pode causar grandes decepções em casos de envolvimento com pessoas. “A pessoa se torna tão perfeita para você, que o simples fato de ela te dar bola, já pode torná-la ‘imperfeita’, se há um envolvimento maior, o risco de decepção aumenta porque você nunca imaginou defeitos sobre aquela pessoa”, explica Marta Regina.
Complicado de se entender, difícil de lidar, são apenas algumas definições para o amor platônico. Porém, em casos como esses, o que vale é o bom senso. Tudo em excesso faz mal e essa regra vale para sentimentos. Portanto, qualquer manifestação que possa parecer fora a atitudes comuns, procure um médico especialista, pois isso pode tornar-se algo sério oferecendo sérios riscos psicológicos para o indivíduo.
O que você sentiu?“Já me senti muito mal. Cheguei a chorar nas férias porque não pude vê-la. Não nos falamos muito mas só fato de vê-la já me faz ficar melhor. Antes tinha certeza de que não ia dar certo, mas aprendi a ter confiança em mim.
”Pedro*, 19 anos, estudante. Apaixonou-se por sua colega na escola.
“Já fiquei tensa em vê-lo. Hoje é normal, mas antes não conseguia nem falar com ele. Ficava muda, gostava apenas de apreciá-lo, na verdade nunca me canso disso.
” Maria*, 22 anos, auxiliar administrativa. Apaixonou-se por seu professor na faculdade.
“Me apaixonava pela idéia de gostar dele, era bem aquela coisa de ‘menininha’, mas confesso que mesmo hoje, se ele me ‘desse bola’, isso me balancearia.
” Letícia Rosa, 22 anos, operadora de atendimento. Apaixonou-se por seu professor aos 11 anos.
*Nomes fictícios. Os entrevistados preferiram não revelar suas identidades.