terça-feira, 26 de outubro de 2010

Voltando...

Foi um ano de afastamento de quem eu era.
Um ano de muitas transformações.
Muitas mudanças. Hoje não sou. Hoje eu sou.

Voltei porque lembrei que faltava uma coisa em minha alma.
Escrever... Sim. Isso me faz bem.

E hoje estou aqui. Um ano mais velho. Um ano mais experiente. Um ano mais decepcionado. Um ano mais vivido.

Estou aqui.
Vivo... e de volta!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O 'Era Uma Vez' moderno e a lógica dos relacionamentos



Em um reino muito distante. Uma princesa. Um príncipe. Um cavalo branco. Uma bruxa. Um sapo. Francamente, como engolimos tantos contos iguais?
O pior é saber que esses contos iguais são as nossas histórias reais. Sim, vivemos contos de fadas, não como os que assistiamos em VHS ou o que nossa mãe contava, mas um pouco, aliás, muito mais modernos. Na verdade mudou muita coisa mesmo. A começar do nome. Não podem mais ser chamados de contos de fadas. A menos que as fadas possam ser chamadas amor. Romantico? Não.., Quem disse que o amor é tão bom assim? Vou melhorar, contos de relacionamentos.
O reino distante hoje é distante mesmo, mas nem sempre se relaciona com um espaço terreno. Hoje o reino distante pode ser classificado como trabalho, estudos e todas as obrigações que nos mantem ocupados a ponto de não termos "tempo" nem para nós mesmos.
Os cavalos foram substituídos. Não só por metrô, ônibus e carros. Hoje eles tem o nome de MSN, orkut, torpedos e ligações telefonicas. Esse ultimo está ficando cada vez mais caro e em breve será descartado dos nossos contos.
O principe e o sapo vivem no mesmo corpo e trocam de uma hora para outra, sem que você possa enxergar. A princesa e a bruxa também.
O principe, enfrenta dragoes como ex-namorados, "amigos" da princesa, falta de dinheiro, falta de carro, falta de tempo, dentre outras. Além de ter que resistir a tentação da princesa do reino vizinho, geralmente, inimiga mortal da princesa do seu reino. E após enfrentar todas essa batalhas, deixa de ser o favorito da princesa. O lobo mau é mais cobiçado, como diriam: Ouve melhor, enxerga melhor e ainda te come. Romantismo? Só se exige quando se é solteiro. O principe tem que ter pegada, carro do ano, dinheiro pra bancar, barriga de tanquinho, muitos músculos, pouca inteligencia, pouco romantismo e mais pegada ainda. É nessa hora que ele vira sapo. E talvez seja difícil voltar a ser principe. Ao menos até encontrar A, (foco no A) princesa.
A princesa, por sua vez... enfrenta todos os dragoes que o principe enfrenta, mas ainda arranja um tempo para colher flores, que hoje são as roupas que ela vai comprar no shopping center, as unhas que ela vai fazer, a lipoaspiração e toda essa estética que a coitada está obrigada a viver. Mas, meus caros, é nela que mora o maior perigo. O principe, apesar de virar sapo, depois de algum tempo, não se assemelha em uma característica fundamental da existencia biologica da princesa: Ela vira bruxa, ao menos, uma vez por mês.
Já deram muitos nomes pra bruxa, mas o mais conhecido deles é a TPM. Nessa fase, a princesa torna-se irreconhecivel, com fortes chances de correr atras do lobo mau se o principe não fizer todos os gostos que a megera quiser.
Mas quando princesa, decide ser meiga, ao menos de aparencia. Passa a vida inteira procurando o principe (antes elas esperavam), quando encontra, acha que o lobo mau é mais legal. Para seguir com um grande lobo mau, precisa ter muito peito, muita bunda e pouca inteligencia. Se não conseguir, serve o primeiro lobo mau que aparecer pelo caminho. Quando se aventura com ele, descobre que o principe é o essencial. Quando procura outro principe, descobre que outra princesa transformou ele em sapo... E esse é o ciclo.
Felizes para sempre? Depende... Talvez você seja. Se deixar de acreditar nesses contos, não os de fadas, mas os nossos.

sábado, 29 de agosto de 2009

É... nós somos.


Nós somos da geração que vai ao McDonalds todo fim de semana. Que come um Big Mac com uma Coca, sem gelo, pra vir mais.


Nós somos os que ouvem a rádio Metropolitana, a 89fm, a Transcontinental, a Band, a Jovem Pan, ou a próxima que estiver na moda.


Nós somos quem assiste a novela da Globo, o Big Brother, ou qualquer reality-show que estiver na moda.


Nós somos os que consomem os livros e os cds que estiverem na Internet como os mais comprados.


Nós somos quem usa roupas da Nike, Adidas, Billabong, Onbongo,Ecko ou qualquer marca cara.


Nós somos quem tem Orkut, Twitter, Blog, Email do Yahoo, Msn, My Space e tudo que estiver na moda na Internet.


Nós somos quem frequenta academias, faz dietas, divide em 10x uma lipoaspiração, toma "bomba" ou qualquer coisa para ter o corpo perfeito.


Nós somos quem vai para balada ou barzinho no fim de semana, churrasco com os amigos, praia com a família, apenas para se socializar e tirar fotos mostrando "eu sou feliz".


Nós somos quem tem Bluetooth, Câmera com Vídeo, Fotos com mais 8MP, Tocador de MP3, etc.
Nós somos quem fala "a gente", "nóis vai", "véio", "mano", etc.

Somos palhaços que choram ao fim do espetáculo.
Somos modelos que se sentem gordas.
Somos quem tem tudo e ainda sente um vazio.
Somos quem chora no banho.
Somos quem sente falta de algo que jurou não sentir.
Somos quem rejeita as pessoas que mais amamos.
Somos quem gosta de quem nos faz sofrer.
Somos senhores e escravos de nossas guerras.
Somos depressivos, estressados, cardíacos, hipertensos, fumantes e alcóolatras.
Somos quem vai morrer no próximo minuto sem ter feito o que gostaria na vida inteira.
Somos quem tem uma vida inteira pela frente, com vontade de morrar no próximo minuto.
Somos quem escreve e fala toda essa tristeza, porque está na moda ser assim.


Somos quem está sem saída.
Somos os alienados e "felizes".
Está tudo bem...E é assim que tem que ser.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Lei municipal numero 1 zilhão de 2009: Proibido ler.



Cheguei tarde na faculdade. Com a criação da Restrição a Fretados, o trânsito, ao menos para mim, só piorou. Mas vamos seguir forte. Tenho que passar por desafios para conseguir a minha graduação. Graduação? Ela não é mais obrigatória para o meu curso. Basta escrever bem para ser jornalista, utilizando as palavras do STJ. Não sabia que estudava quatro anos apenas para aprender a escrever.


Posso tentar ser publicitário, aproveitaria as matérias do meu primeiro ano e faria algumas Adaptações. É... mas fica complicado exibir publicidade uma vez que Outdoors também estão proibidos.


Quem sabe posso adotar o hábito de fumar, para relaxar. Esqueci... fumar agora só na rua.
A rua está perigosa. Além de assaltos, temos a o 'H1N1' circulando pelos ares. As aulas deverão começar mais tarde.


Vamos relaxar. Ir para um bar, tentar esquecer. Ah não! Estou de carro. A Lei Seca está aí, não posso dirigir. Mas posso voltar de ônibus, algum amigo meu passa o Bilhete Unico. É... Bilhete Unico de trabalho, só pode ser utilizado por um usuário.


Só me basta chegar a duas conclusões:


São Paulo é a Meca da proibição.
E... o universo conspira.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

O balde



A minha revolta é muda. Não me mobilizo, não grito, não choro e nem bato. Calo-me. Jogo para algum lugar dentro de mim onde já estão raivas contidas, choros reprimidos, tristezas não demonstradas e gritos mudos. É como se fosse um balde com agua suja, mas aparentemente calma. Ao despejar mais agua no balde, o conteudo já existente remexe, as vezes respinga novamente em mim. Limpo e jogo aquelas gotas la dentro de novo.


A todo instante digo que o balde já está no limite, mas sempre tem espaço para algo mais. Quanto mais jogo, mais ele remexe e me incomoda, mas espaço ele ainda tem.
Já ouvi falar de stress, depressão, bipolaridade e enfarto cardiaco. É quando o balde vaza. Ele simplesmente é "protegido" pela minha máscara social: a de alguém feliz, "nem aí" e inatingível. Uma máscara para cada ocasião. A de homem simpático. A do príncipe encantado. A do Ogro machista. A do rapaz trabalhador. A do estudante aplicado; essa eu perdi. A do cantor de "clássicos" da música. A de bom filho. A de mal filho. A de irmão briguento. A de vizinho antipático.


Essas máscaras sociais disfarçam sempre o conteúdo do balde. Ninguém nem sabe que ele existe. Até um dia eu surtar e quando isso acontecer não há máscara que segure. Elas vão se rasgar e se despadaçar. E as máscaras sociais das pessoas ao meu redor, que ainda conseguem conter seus baldes, vão falar: "Louco". "Surtou". "Enfartou". "É Stress". "Ele não leva uma vida saudável". "Isso é de guardar coisas, por isso que não guardo". "Coitadinho".


Mas aqui quem vos fala é mais uma máscara: A de quem quer escrever algo legal.

E no fundo, eu não passo de um balde, que ainda não achou seu fundo.

sábado, 18 de julho de 2009

Os "Popozudos"

O mundo inteiro sofre de escassez. Escassez de água, de comida, de dinheiro (Ava!), de cultura, de inteligência, mas principalmente de coragem. Falta no mundo e sobra ao mesmo tempo. O mundo sofre de abundância de bunda, escassez de peito.


Peito para enfrentar o real e tudo que nos cerca. Peito para agir. Sobra bunda. Os chamados bundões. Em termos mais chulos, c...zão, se é que me entende. Prefiro chamar de popozudos. É... somos um bando de popozudos. Orgulho quanto a isso? Ou temos ou fechamos os olhos.


O engraçado é que as pessoas de peito não são enxergadas, ou se são, não são reconhecidas. Falta gente para acabar com a palhaçada na política, na vida social, na vida econômica. Ao invés disso o que fazemos: reclamamos, para si. A bunda cresceu. Parabéns. A hipocrisia também.


Vamos odiar nossa vizinha fofoqueira falar mal de nós, mas vamos assistir cada vez mais realitys-shows, o que que tem? É legal. Eu também assisto. Vamos rezar na Igreja e nos enroscarmos na balada. Muito bem! Viva! E cadê o peito para assumir quem somos?


Cadê o peito? Falta. O que me envergonha e enoja é saber que nada sou mais do que mais um popozudo. E talvez você seja também.
Onde estão os “melõezudos(as)”? Por favor. Precisamos de vocês.

Esse é o Brasil. Esse é o mundo.


E esse é mais um popozudo quem fala.

domingo, 31 de maio de 2009

Trabalhar e estudar? Conforme-se!

O relógio que toca às seis da manhã parece mais um instrumento de tortura. O primeiro pensamento que passa na cabeça é: "já?". Não lembro de ter dormido. Na verdade acho que fechei apenas os olhos e esse maldito já vem me incomodar.
Pouco a pouco o cérebro está recuperando o que consegue. Tenho a mania de dizer que ele está funcionando com apenas 10% de sua capacidade: o suficiente para eu levantar e andar... aos poucos ele vai acordando e com isso as memórias do dia anterior.
Vamos repassar mentalmente... hoje tenho dezenas de planilhas para importar no meu trabalho. Disso não há como fugir. Depois... Lembrei! Já ia me esquecendo foi isso que me fez dormir ainda mais tarde: o trabalho que tenho que apresentar depois de amanhã. Às vezes acho que tenho dezenas de almas. Sim... É a unica explicação que encontro para "tentar" dar conta das inúmeras atividades. O emprego exige esforço extra para dar conta dos seus interesses. O estudo exige um esforço extra ainda maior para dar conta das minhas atividades. "Se fosse fácil, todo mundo era formado no Brasil"... Quantas vezes já ouvi essa frase... Um tapinha nas costas dizendo: "Um dia o esforço vai trazer resultados".
Vida de estudante não é fácil. Todo mundo está cansado de saber. Somar isso a emprego, acho que é uma loucura total. É um ciclo. Trabalhe para manter a faculdade. Estude para manter o emprego. Onde ficamos nesse meio? Às vezes tenho a sensaçâo que tudo està sendo sugado... Será que vou conseguir aproveitar a recompensa, se é que ela existe, de tanto esforço? Haverá algo dentro de mim?
Olho as pessoas que estão ao meu redor. Parece que todo mundo está tão... Conformado. É acho que essa é a palavra. Num dia desses me surpreendi ao reparar que tal conformismo, assim como o meu próprio, era fachada. Reuni-me com um grupo de amigos na sala e começamos a falar da quantidade de trabalhos que somos exigidos na faculdade e no emprego. Quase choramos todos juntos. Parece exagero? Não, não é. Aquilo serviu como mais desespero e como alívio ao mesmo tempo. Nada vai mudar. Quer se formar.... Vai ser assim. Mas você não está sozinho. Outra vez o conformismo me dominando.
Acho que pensei demais. É melhor eu desligar o chuveiro e me vestir logo, ou vou me atrasar. Chuveiro é o único lugar para pensar. Fato. Deus, se existir peço perdão pela minha frase tão pecadora: estou sem tempo até para conversar com "Ele". Feriado, final de semana. Esquece. Vou ter que fazer hora extra e o tempo restante terminar aquele trabalho importantíssimo para apresentar na segunda-feira. Ninguém vai querer saber do meu cansaço. Todo mundo passa por isso. Vamos nos conformar: É a vida!
Não falei que ia me atrasar. Se eu não correr vou perder o emprego, parar a faculdade e ser sustentado pelos meus pais, o que não os agradaria muito. Mas um pouco de rebeldia não faz mal a ninguém. Por que não faço isso? Nossa perdi o ônibus... Que droga! Vou correr para alcançar outro. Depois eu penso.